Quem faz a crehnor

Para celebrar os 25 anos da Crehnor lançamos a coluna “Quem faz a Crehnor”. Nela, mostramos um pouco de quem são nossos associados. 

Cooperado da Crehnor relembra o início do assentamento Recanto da Natureza e sua história com a cooperativa.

O ano de 1999 foi particularmente importante para Divo Vigolo. Diferente de seu longínquo passado, do qual ele não lembra com precisão qual era o ano e nem os motivos que fizeram com que a família, descendente de italianos, se mudasse de Erval Grande, Santa Catarina para o Paraná. Vigolo acredita que foi em busca de terras mais planas e melhores para o cultivo. “Voltei para lá uma vez, quando tinha 12 anos, e foi para um casamento, depois nunca mais fui. Eu não cheguei a ver as nossas terras antigas, mas diziam que a terra que meu pai comprou aqui era bem melhor do que lá”, relembra.

Desde pequeno, a vida de Divo foi na roça. Devido a família grande, com 11 filhos (oito homens e três mulheres), a propriedade do pai de Vigolo ficou pequena demais para todos. E foi assim, que em 1999, ele e outras 26 famílias ocuparam uma fazenda improdutiva no lugar hoje chamado de Recanto da Natureza. “Ocupamos devido à falta de terra para trabalharmos. Eu nunca me sujeitei a trabalhar de empregado e sempre queria trabalhar meio que por conta. Como meu pai tinha pouca terra e nós éramos um ‘lote’ de filhos, resolvi acampar junto com uns caras conhecidos e ocupamos a fazenda aqui em 1999” explica o agricultor.

Hoje os irmãos de Vigolo estão espalhados por diferentes localidades. Alguns moram perto dele, outros na cidade de Laranjeiras, e outros foram embora para o Mato Grosso.

No começo do acampamento as lavouras eram coletivas. “Tivemos dificuldade na época por causa do crédito rural que não tínhamos. Depois foi feita a divisão do lote para as famílias. Como produzíamos no convencional naquela época e vimos que aquilo não nos beneficiaria, mudamos para o orgânico. Hoje nós produzimos feijão arroz, mandioca, leite e hortaliças e beneficiamos na agroindústria. 

Divo também lembra  que desde aquela época a Crehnor estava apoiando a luta dos moradores do Recanto, aliás, foi também em 1999 que ele conheceu a cooperativa. “Fomos conhecendo a Crehnor a partir das lutas do Movimento. Nós íamos lá e fazíamos reunião e discussões sobre a Reforma Agrária e aí acabei me associando. A Crehnor nos ajudou muito na época e até hoje. Já usei o financiamento e custeio da cooperativa”, comenta.

O espírito coletivo permanece no assentamento. Hoje, a comunidade produz uma enorme diversidade de alimentos que são beneficiados na agroindústria, a qual se encarrega de recolher os produtos e fazer as entregas. “Nós fazíamos feira e com a pandemia passamos a entregar as cestas nas casas. Os consumidores fazem os pedidos pela internet, vamos de encontro ao consumidor”, ressalta Divo.

Para Divo, os agricultores ainda enfrentam muitas dificuldades e ele pontua o alto preço dos insumos. “São muito altos para a gente poder fazer roça. Se quiser fazer, tem que pegar um financiamento grande e daí as vezes, para vender e pagar não dá muito certo”. Apesar disso, entre a vida de empregado e agricultor, ele prefere ser o próprio patrão e colher seu sustento. “É que eu trabalho para mim e sem patrão e eu lido do jeito que acho melhor, apesar de termos técnicos que dão assistência direto. O cara lidando por conta é melhor. Não é fácil, mas é bom”, finaliza.